INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DIREITO: O FUTURO DA ADVOCACIA

 Em Opnião

A inteligência artificial – ou algo próximo a ela – já é uma realidade. Aparelhos celulares conseguem rastrear o modo de vida do usuário e informar as condições de trânsito até o local do trabalho, tempo, perceber seu gosto musical e até criar possíveis respostas para mensagens de texto, sem qualquer provocação nesse sentido.

Os brinquedos também não são mais como eram antigamente. “Dino” é um Tiranossauro de Brinquedo lançado pela IBM capaz de manter um diálogo com qualquer pessoa sobre assuntos diversos. As respostas são baseadas em dados alocados na nuvem. Até aí nada surpreendente. O mais incrível é que o CogniToy puxa as informações e, numa realidade incrível, articula em frase uma resposta. Não bastasse, o pequeno dinossauro também inicia conversas com base em preferências do usuário. Segundo relatos de proprietários, é possível conversar por horas com o brinquedo.

Nem mesmo o Supremo Tribunal Federal é hoje como era antigamente. No dia 30 de maio de 2018 o Tribunal adquiriu um sistema de inteligência artificial chamado Victor. O sistema é responsável por “ler” os recursos que chegam até o tribunal e indicar a presença dos requisitos de admissibilidade, enquadramento em teses de repercussão geral, dentre outras ajudas. Para muitos, Victor já é o décimo segundo Ministro do Tribunal.

E o que falar da advocacia? Grandes bancas já contam com sistemas de inteligência artificial que permitem a criação de petições contendo possíveis argumentos de convencimento a partir da análise das decisões dos membros dos tribunais locais. A partir da alimentação do sistema, também é possível projetar com grande margem de acerto as probabilidades de êxito, viabilidade de recursos, quais ações devem ser encaminhadas para acordos, etc.

Com esse novo panorama naturalmente vêm as incertezas. Não são poucos os que projetam o fim da advocacia e até mesmo a reinvenção do Poder Judiciário. De outro lado, outros projetam um sistema judiciário mais eficiente, com decisões sendo proferidas dentro de uma linha de racionalidade e advogados destinando seu tempo para o que mais importa: o cliente. Com os novos modelos de inteligência, os advogados deixariam de gastar tempo com confecção de petições, pesquisas jurisprudenciais, e poderiam se entregar aos clientes.

Esse modelo de advocacia personalizada e descomplicada é o futuro da advocacia. O advogado deve fazer uso das novas tecnologias e agir voltado para a sua clientela. Não há motivo para temer o futuro, portanto, mesmo porque o futuro já chegou. Agora é a hora de assimilar essa nova realidade e tirar proveito dela para não ser atropelado pelo bonde da história.

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